N. 667/2020

Tipo de projeto e valor máximo de financiamento

Projeto integrado (máximo 50.000 Euros)

Eixos de intervenção em que se enquadra o projeto

Financiamento

Valor solicitado

€ 50,000.00

Valor de outros financiamentos

€ 15,500.00

Valor total

€ 65,500.00
Mapa de localização da candidatura


Mapa das candidaturas financiadas


Registos

Entre a Natureza e a Cidade: Percursos Pedonais do Monte Xisto

Monte Xisto é uma das oito colinas que formam a (extinta) freguesia de Guifões, na margem do rio Leça, Matosinhos. O crescimento urbanístico rápido e descontrolado que teve lugar no final do século XX, levou o bairro a uma situação crítica: a maior parte dos edifícios foram construídos sem fundações ou estruturas adequadas, um problema intensificado pela topografia da colina. Esta proposta visa a criação de ligações pedonais entre as encostas do Monte Xisto e o território envolvente. Os percursos, consistindo em novas escadarias e passadiços em articulação com a paisagem e malha urbana, procuram sobretudo combater o isolamento entre o bairro e as zonas envolventes. Na encosta Poente, o percurso articula-se com o Corredor Verde de Leça, uma obra estruturante em curso levada a cabo pela Câmara Municipal de Matosinhos. Na encosta Nascente, cria-se uma nova ligação à malha urbana, através de um terreno onde ocorreram derrocadas em 2005, e que permanece expectante.

Objetivos

Objetivo geral e justificação

O projeto propõe “coser” a topografia acidentada do Monte Xisto, onde há uma carência de ligações ao território envolvente. Apesar da proximidade geográfica ao vale do Rio Leça e ao centro da Freguesia, o bairro vive num estado de isolamento pela insuficiência de acessos. Esta separação física acaba por criar um fenómeno de exclusão social. Pretende-se criar novos percursos pedonais, beneficiando a acessibilidade quer dentro do bairro, quer com a paisagem natural e urbana envolventes. O traçado parte de um trabalho continuado neste território, a decorrer desde 2014, coordenado pelo arquitecto Paulo Moreira, director da Tamanho Azul - Associação. Em 2017, o trabalho desenvolvido em colaboração com um grupo de moradores, resultou no Projecto de Regeneração Urbana do Monte Xisto, encomendado pela Câmara Municipal de Matosinhos, e que aguarda ainda implementação. Os percursos pedonais são um complemento, de maior facilidade de execução, e com um impacto igualmente significativo.

Objetivo específico 1 e justificação

1. Fortalecer as redes de vizinhança. Prevê-se no âmbito deste projeto convocar reuniões com a população local, estabelecendo uma rede de vizinhança que poderá crescer e desenvolver-se ao longo do período do projeto. Esta rede sedimenta-se com base no trabalho participativo de reconhecimento do território em curso desde 2014. A proposta dos Percursos Pedonais parte de um debate intenso entre os moradores e os projetistas, com a mediação da entidade promotora da candidatura, Tamanho Azul - Associação. As sessões decorrerão no bairro, e incidirão sobre as prioridades do traçado, os recursos existentes e a execução do trabalho, esperando que os novos percursos reforcem também o sentimento de pertença do projecto. Propõe-se que, através de um investimento comparativamente modesto, este projecto estimule e fortaleça a solidariedade na rede de vizinhança, requisitos para a participação da população nos debates cívicos sobre o seu próprio bairro.

Objetivo específico 2 e justificação

2. Promover um contínuo natural. A proposta pretende ligar os lados Nascente e Poente do Monte Xisto, através da sua cumeada, pertencente ao sistema seco da Paisagem, ocupado por uma malha urbana que se adoça ao declive natural. Mais concretamente, pretende-se relacionar o prado e hortas urbanas localizadas do lado Nascente, dando-lhe continuidade através de um percurso que atravessa a encosta Poente, até ao futuro Parque Ribeirinho do Rio Leça, actualmente em curso. O percurso pedonal articula assim as duas áreas verdes próximas, no entanto isoladas, promovendo um contínuo na Paisagem. A criação destes acessos pedonais é premente para a qualidade de vida da população residente, permitindo a conexão entre a infraestrutura verde do concelho de Matosinhos, através do interior da malha urbana do Monte do Xisto. Esta proposta permite também que residentes de fora do Monte do Xisto tenham acesso à cumeada, onde é possível uma legibilidade muito clara de todo o território envolvente.

Objetivo específico 3 e justificação

3. Melhorar a urbanidade do bairro. O Monte Xisto apresenta uma escassez de acessos entre a cota alta e a cota baixa. À primeira vista, a estrutura urbana parece expandir-se irracionalmente, mas a sua estrutura é clara: uma ‘espinha de peixe’, com um eixo central que se estende sobre o cume do monte, do qual emanam em ângulo várias ruas transversais ao longo das encostas íngremes, muitas delas terminando em estreitas escadarias ligando a campos agrícolas, no vale. Uma estrutura secundária de becos liga a casas privadas, sendo aí interrompido o seu carácter público. Neste denso tecido urbano falta dar seguimento às ligações transversais, criando novos cruzamentos na encosta. Propõe-se criar um novo atravessamento interno, na encosta Nascente, através de um terreno desocupado e expectante. Na encosta Poente, propõe-se dar continuidade a duas vielas que terminam em escadas, ligando-as através do vale até ao Corredor Verde que está a ser executado pela CMM.

Objetivo específico 4 e justificação

4. Promover uma obra colaborativa. A obra é vista como parte de uma estratégia de empoderamento. O processo de construção promove o auto-reconhecimento e a voz pública dos participantes. A fisionomia do percurso resulta da interpretação e síntese dessas múltiplas vozes. Não se trata da ‘entrega’ de um equipamento comunitário ‘externo’, invocando exclusivamente os códigos legais e da indústria de construção (embora haja lições a reter da formalização desses processos). A obra toma forma na esfera do conhecimento local. Esta atitude é menos dependente das técnicas convencionais de projectar, das escolhas de materiais e da sua fabricação, do que da experiência dos próprios artífices locais. Estamos certos que o trabalho intenso com a comunidade - literalmente os construtores - irá ajudar a desenvolver novas competências e práticas. O trabalho colaborativo irá também reforçar as relações sociais entre todos os profissionais. Este intercâmbio profissional é uma das mais valias da proposta.

Objetivo específico 5 e justificação

5. Difundir o processo e resultados do projecto. Pretende-se criar materiais de divulgação do projeto, de qualidade profissional, que serão apresentados publicamente de modo a dar visibilidade aos problemas do bairro e ao modo como esta intervenção contribui para a sua resolução. Em particular, a encosta Nascente do Monte Xisto sofreu uma derrocada há 15 anos, cujas marcas se mantêm como uma cratera entre as habitações. Os novos percursos preparam caminho para a consolidação necessária desta encosta. O projecto e obra será documentado, com foco na abordagem às especificidades do processo colaborativo. Ao registarmos e apresentarmos este processo, da concepção à obra, esperamos contribuir para consolidar também a estrutura social do bairro, para além da sua estrutura física.

Parceria local

Promotora

Tamanho Azul - Associação

Parceira

José Luis Ferreira da Silva
U. F. Custóias, Leça do Balio e Guifões

Território(s) de intervenção

1. Bairro do Monte Xisto

Custóias, Leça do Balio e Guifões, Matosinhos
Critério 1. Condições de habitabilidade deficientes ou precárias, nomeadamente:
Mau estado das habitações, por deficiente construção, falta de manutenção ou por estarem situadas em territórios afetados por incêndios nos últimos cinco anos
Desadequação severa dos espaços comuns
Deficientes condições de acesso ao abastecimento de água, saneamento e energia, designadamente em áreas de génese ilegal
Critério 2. Número significativo de moradores com rendimentos baixos ou muito baixos, nomeadamente:
Pessoas em situação de desemprego, lay-off ou precariedade laboral
Pessoas com poucos anos de escolaridade
Critério 4. Número significativo de pessoas com constrangimentos de acesso a cuidados de saúde, nomeadamente por:
Falta de condições de mobilidade e transporte
Critério 6. Número significativo de crianças e jovens em idade escolar a não frequentar a escola ou com elevada percentagem de insucesso, nomeadamente por:
Abandono escolar
Critério 7. Exclusão social
Número significativo de pessoas em situação de exclusão social, isolamento ou abandono, nomeadamente idosos, pessoas em situação de sem abrigo ou vítimas de tráfico

Atividades

1. Encontros entre os moradores e a equipa projectista para melhor definição dos percursos a implementar

Organizam-se várias reuniões em conjunto com o grupo informal de moradores, entidade parceira deste projeto, em articulação com as autoridades locais. As reuniões pretendem definir com precisão as prioridades do projeto, os recursos existentes e modos de execução do trabalho. Nestas reuniões, pretende-se também cultivar o sentimento de pertença ao projecto, permitindo aos moradores a tomada de decisões sobre o seu espaço comum.
Destinatários preferenciais
Idosos (65 e mais anos), Adultos (25 a 64 anos), Famílias, Toda a comunidade

2. Execução do percurso na encosta Poente, com mão-de-obra local

Parte da obra a executar pelos residentes do Monte Xisto consistirá num percurso pavimentado de ligação da encosta Poente ao Corredor Verde do Rio Leça, que está a ser executado pela CMM. Nesta encosta, propõe-se dar continuidade a duas vielas que terminam em escadas, criando-se patamares e degraus pavimentados em granito da região. O percurso terá alguns pontos de paragem, proporcionando pontos de descanso e contemplação da paisagem.
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade

3. Execução do percurso na encosta Nascente, com mão-de-obra local

Na encosta Nascente, será executada a obra do percurso pedonal, com mão-de-obra local, estabelecendo a ligação entre a cota intermédia e a cota baixa da colina. A obra será executada com recurso a estrutura mista de pedra de granito da região e betão fabricado em obra.
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade

4. Documentário, Fotografias e Exposição

Propõe-se organizar um conjunto de iniciativas de difusão do projecto e obra. A construção, executada com materiais naturais como o granito e a vegetação autóctone, será documentada profissionalmente em fotografia e vídeo. Um documentário ilustrará todo o processo do projeto, desde as reunião de moradores, aos trabalhos de construção até à conclusão da obra e sua utilização pela população. A apresentação pública destes materiais será feita em várias plataformas online e através de numa exposição organizada no INSTITUTO, espaço cultural gerido pela Tamanho Azul - Associação, promotora da candid
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade