N. 46/2020

Tipo de projeto e valor máximo de financiamento

Projeto integrado (máximo 50.000 Euros)

Eixos de intervenção em que se enquadra o projeto

Financiamento

Valor solicitado

50.000,00 €

Valor de outros financiamentos

27.000,00 €

Valor total

77.000,00 €
Mapa de localização da candidatura

Mapa das candidaturas financiadas


Registos

ESCOLANOVA - Centro de Artes da Bordeira

A Cooperativa LAVRAR O MAR procura, com este projecto, criar um lugar de pertença e de acolhimento numa zona extremamente desertificada e isolada do concelho de Aljezur. Pretende-se reabilitar, dinamizar e regenerar a memória da antiga escola primária da aldeia da Bordeira, transformando este edifício devoluto num espaço de encontros, experimentação, troca de conhecimentos e criação artística. Esta necessidade nasce do desejo da cooperativa em possuir um espaço onde possa desenvolver e aprofundar a sua actividade junto da comunidade numa base regular. Iremos criar com a população local um Centro de Artes onde se pretende que o cruzamento entre a cultura local e a criação artística produza efeitos de combate ao isolamento, de promoção de estilos de vida saudáveis, de criação de emprego local,de redes solidárias de vizinhança,mas sobretudo de construção de um lugar comum que se renova pelas mãos dos habitantes e dos artistas que, em conjunto, irão desenvolver laboratórios e espectáculos.

Objetivos

Objetivo geral e justificação

O grande objectivo da reabilitação da escola consiste em criar um espaço central de dinamização da aldeia e dos aspectos endógenos da sua cultura. O projecto insere-se em diversos eixos de acção, nomeadamente na área social, uma vez que se pretende, através de iniciativas culturais, combater a exclusão social, formando e capacitando a sua população, mas aprendendo também com esta, através de contactos intergeracionais entre pessoas de diferentes quadrantes. No seguimento deste intercâmbio, esperam-se impactos económicos positivos, que se farão sentir por via de laboratórios criativos onde antigos ofícios serão trabalhados artisticamente, resultando em artigos que poderão ser expostos, vendidos ou trocados, gerando oportunidades de emprego local. Ao nível urbanístico, o projecto apresenta-se como uma mais-valia para a regularização deste edifício municipal, do seu estatuto, tendo como objectivo máximo a instalação de um equipamento cultural de grande relevância comunitária.

Objetivo específico 1 e justificação

Reabrir, reabilitar e transformar a escola da Bordeira num lugar de cultura aberto à comunidade, através de um processo participado que a consolidará como lugar de pertença. Central para a identidade da aldeia, a sua escola foi construída nos anos 40, dentro do Plano dos Centenários do Estado Novo, que edificou uma rede escolar reconhecível nas suas tipologias. O edifício foi sofrendo alterações não planeadas para fazer caber outros usos, encontrando-se encerrado desde 2017 e em mau estado de conservação. As potencialidades da arquitectura serão debatidas em sessões de criação colectiva com os vários grupos envolvidos: residentes da freguesia, comunidades estrangeiras alternativas e os construtores da obra. A obra será faseada para permitir uma ocupação permanente e usos pontuais ao longo do projecto, que tem o propósito de devolver integridade, estabilidade estrutural e dar corpo a um novo programa que se estabelece sobre a morfologia da escola como um espaço de relação e criação.

Objetivo específico 2 e justificação

Ao nível social, pretende-se reabilitar a cultura de organização local, partindo das redes de vizinhança já existentes e valorizando os elos comuns de identidade e pertença ao território e à escola. Considera-se que através de mecanismos de promoção à participação e envolvimento dos habitantes na reabilitação do edifício, será possível desencadear uma sinergia participada e de valor. Contrapondo a dinâmica existente de sazonalidade e de distanciamento entre comunidades nacionais e estrangeiras, procura-se contribuir para a construção de um lugar novo, criado a partir das histórias individuais de pertença ao edifício e à aldeia para a transformação em matéria viva e colectiva. O projecto propõe-se a intervir na aproximação destes universos que ocupam o mesmo território e podem reactivar dinâmicas económicas e sociais para a resolução de lacunas como a exclusão e o isolamento social ou a falta de respostas de lazer, culturais e artísticas.

Objetivo específico 3 e justificação

Um dos propósitos da reabilitação da escola, é a humanização do edifício por meio da produção colectiva, que junta pessoas de diferentes gerações e origens, algo que irá atribuir uma nova força à identidade deste espaço comum. Pretende-se que a escola volte a ser um local de aprendizagem, descoberta e crescimento, mas também de memória, e de relação com o futuro. Partindo da reabertura da escola e da produção de um filme documental que conta através dos seus habitantes, o historial da aldeia, os relatos individuais das pessoas que tiveram contacto com a escola e que aqui cresceram, os ofícios que marcaram as suas vidas, um novo lugar, surgirá. Deste modo, novas dinâmicas culturais serão possíveis e sinergias entre artistas locais, nacionais e internacionais, moradores permanentes e sazonais da aldeia, habitantes das comunidades alternativas circundantes, turistas e residentes do concelho, serão uma nova realidade.

Parceria local

Promotora

LAVRAR O MAR COOPERATIVA CULTURAL, CRL

Parceira

Artéria
Municipio de Aljezur
Junta de Freguesia da Bordeira

Território(s) de intervenção

1. O território do projecto é a escola primária da Aldeia da Bordeira situada na freguesia da Bordeira, do concelho de Aljezur, que se inscreve na caracterização de territórios de baixa densidade (Comissão Interministerial de Coordenação 2020).

Bordeira, Aljezur
Critério 1. Condições de habitabilidade deficientes ou precárias, nomeadamente:
Mau estado das habitações, por deficiente construção, falta de manutenção ou por estarem situadas em territórios afetados por incêndios nos últimos cinco anos
Ventilação e iluminação solar insuficientes ou baixo conforto térmico e acústico
Critério 2. Número significativo de moradores com rendimentos baixos ou muito baixos, nomeadamente:
Pessoas em situação de desemprego, lay-off ou precariedade laboral
Pessoas com poucos anos de escolaridade
Critério 7. Exclusão social
Número significativo de pessoas em situação de exclusão social, isolamento ou abandono, nomeadamente idosos, pessoas em situação de sem abrigo ou vítimas de tráfico

Atividades

1. Reabilitação da escola para partir de uma intervenção em 3 fases, estabelecendo prioridades de acordo com o grau de degradação do edificado e, procurando manter o edifício em funcionamento do início ao fim do projecto.

Fase 1: Reabilitação do anexo de construção recente - criar um espaço de permanência para as actividades ao longo do processo de reabilitação da Escola. Acção principal: remover e substituir a cobertura em placas de amianto, e proceder a uma obra interior de modo a adaptar a divisão única com zona de cozinha, de salão e criar um espaço confortável e aberto aos encontros colectivos; Fase 2: Reabilitação do Edifício revelando a construção original e removendo a compartimentação posterior, consolidando a sua estrutura; Fase 3: Projectar a Pérgola - transição para a transformação do exterior.
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade

2. Processo de concepção do programa e projecto de arquitectura envolvendo as comunidades locais; o processo será contínuo na duração da obra e com o edifício parcialmente em funcionamento por forma a fomentar a sua discussão e apropriação.

Antes e ao longo das 3 fases da intervenção da obra serão programadas sessões que juntam as comunidades envolvidas no projecto, para escuta e diálogo, recolha de memórias e discussão de ideias, usando métodos de modelação de espaço, desenhos e modelos, com os arquitectos da Artéria e a cooperativa Lavrar o Mar. Desta forma, procura-se entrosar o que é elaborado nas sessões do projecto de arquitectura, bem como um diálogo estável da comunidade com a obra de reabilitação do edificado da Escola e com o projecto cultural em criação.
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade

3. Produção e realização de um filme documental sobre a história da aldeia, as histórias dos seus habitantes, a primeira fase da reabilitação do edifício da escola e a sua visão sobre a mesma.

Ao longo das primeiras intervenções de reabilitação do edifício os habitantes serão envolvidos para mergulhar no universo da aldeia e permitir desta forma, que a transformação deste espaço comum lhes seja devolvido. A produção deste filme documental será conduzida enquanto a obra se levanta, através das actividades designadas que resultam de entrevistas, conversas, debates e momentos de reflexão para pensar o futuro da escola. Adicionalmente serão realizadas pelos habitantes visitas guiadas à aldeia para descobrir novas referências de memória colectiva e individual.
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade

4. Exposição fotográfica que compara o passado e o presente da escola, da aldeia e da comunidade da Bordeira.

Inicialmente irá realizar-se um levantamento das fotografias antigas da escola, da aldeia, do território e dos seus habitantes junto da comunidade local, procurando conhecer as suas histórias e reactivar as suas memórias individuais e colectiva. Posteriormente, o fotógrafo João Mariano irá fazer um trabalho fotográfico sobre a realidade da aldeia no presente, em diálogo com o seu passado, para ser partilhado com a população e exposto para o público em geral no anexo da escola reabilitada. Esta recolha fotográfica servirá também como ponto de partida para o guião do filme documental.
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade

5. Criação de uma horta-jardim comunitária no espaço exterior da escola a partir do conhecimento da população local e de novas abordagens sustentáveis.

Haverá uma troca de conhecimentos e experiências entre o agricultor, apicultor, mariscador e arquitecto paisagista Nicolau da Costa, residente no território, e os habitantes locais na concepção e manutenção desta horta que será também um jardim no espaço exterior da escola. Ao longo de vários encontros, Nicolau irá partilhar o seu conhecimento sobre o clima local, a seleção de sementes, a rotatividade dos solos, por exemplo. Com este projecto conjunto pretende-se estimular o diálogo entre a população, o seu sentimento de pertença e um estilo de vida saudável, através da educação alimentar.
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade

6. Construção de modelos futuros do edifício, de representação da aldeia ou da paisagem circundante. Articulação das representações destes universos com a criação artística e uma alimentação saudável e mediterrânea.

A representação dos universos pessoais sobre determinado território é de uma unicidade que abre portas para um imaginário que pretendemos explorar. A proposta lançada aos habitantes da aldeia é de iniciar a construção de uma maquete individual, num primeiro momento, para se juntar a uma maquete colectiva que explorará o olhar individual sobre estes planos - edifício,aldeia e paisagem. Pretende-se através de 3 momentos e cruzando a criação de artistas da culinária,desenhar colectivamente uma maquete comestível,que desafiará a utilização dos legumes da horta comunitária e outros produtos locais.
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade

7. Mapeamento de lugares de memória dos habitantes da aldeia e de memórias ligadas à escola primária. Criação de mapas criativos que liguem os universos de histórias das pessoas e dos artistas que cruzam o território.

É nosso objectivo, ao longo deste projecto, criar pontes entre a reabilitação do edifício e a programação da cooperativa, aproveitando a estadia dos artistas para produzir materiais artísticos singulares e endémicos. Partimos da importância dos lugares de memória sensorial individual para chegar à construção de uma memória colectiva de valor. Propomos recolher lugares de relevância individual e colectiva através do seu mapeamento participado e produzir vários mapas topográficos que incorporam as histórias das pessoas e dos pontos de referência da aldeia.
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade

8. Criação de pequenos espectáculos apresentados por artistas profissionais e com a participação de pessoas locais sob forma de jantares performativos cuja ementa é feita a partir dos produtos da horta-jardim comunitária.

A partir dos produtos da horta irão contar-se histórias da comunidade, da aldeia e da escola. Iremos comer e cozinhar juntos, em actos de encontro e de partilha, de onde resultam pequenos espectáculos onde a memória, a palavra e o teatro convivem à volta de uma grande mesa. Estas experiências culinárias e partilhas de conhecimento vão sugerir novos caminhos para uma alimentação saudável. O resultado será o aproveitamento dos legumes da horta e dos segredos culinários transmitidos de geração em geração, para construir um espectáculo-jantar-convívio.
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade