N. 786/2020

Tipo de projeto e valor máximo de financiamento

Projeto integrado (máximo 50.000 Euros)

Eixos de intervenção em que se enquadra o projeto

Financiamento

Valor solicitado

50.000,00 €

Valor de outros financiamentos

3.000,00 €

Valor total

53.000,00 €
Mapa de localização da candidatura

Mapa das candidaturas financiadas


Desenhar a Terra Futura

Mértola é um território rural, interior, de baixa densidade, com uma pirâmide etária invertida, problemas demográficos e de despovoamento, que influenciam negativamente as dinâmicas sociais. Perdeu mais de 80% da população nos últimos 50 anos, tendência que ainda não se alterou e a alterar urgentemente, sob pena de desaparecer um local rico em história, tradição e cultura. Pretende-se a implementação de um modelo sustentável de design glocal, na área do slow fashion, através da criação de uma marca piloto baseada na cultura local, com repercussões de nível social, económico e ambiental, baseada em: 1. upcycling de vestuário descartado existente; 2. integração/revitalização de técnicas artesanais, cultura e património; 3. co criação em design, intercâmbio de saberes e design participativo, incluindo actores locais 4. associativismo intergeracional, pluridisciplinar e institucional 5. transferência de conhecimento rural/urbano, na dicotomia artesanato/design

Objetivos

Objetivo geral e justificação

Perpetuar a preservação da cultura e património locais ao aliar o Design e a Moda ao Território, através da criação de uma marca-piloto sustentável. O projecto, baseado num modelo de negócio, é regenerador por gerar sustentabilidade social, envolvendo as diferentes gerações e fixando a população no local. Ter o design como disseminador de cultura, através da produção de objetos com novas linguagens baseadas no passado, é priorizar populações vulneráveis, excluídas, isoladas e com recursos económicos muito reduzidos, principalmente as idosas. Nestas, as condições de saúde (física ou mental) precárias e/ou a falta de actividade podem ser colmatadas por este projecto, que em tudo se distingue de terapias ocupacionais de pouco impacto. Educando a sociedade para e através do design, da moda e dos têxteis, através de um modelo participativo, promove a integração e coesão social intergeracional e o intercâmbio entre designers e artesãos, baseado numa aprendizagem life-long learning.

Objetivo específico 1 e justificação

Associativismo intergeracional, pluridisciplinar e desenvolvimento de sinergias institucionais O modelo do projeto distingue a mão-de-obra e a reintegração saberes tradicionais, com a colaboração inter-geracional. As entidades locais, particularmente as que envolvem jovens e idosos, podem participar no processo de design, tornando o projeto num catalisador de novas ideias, atividades e parcerias em torno de um objetivo comum. Ter o próprio design também como ferramenta holística de gestão das instituições, leva a que seja possível deixar um legado às gerações futuras a que elas próprias consigam dar continuidade, por deterem este novo conhecimento. O impacto social na camada mais velha da população está em mantê-la activa e integrada em projectos novos; na mais jovem, trata-se de fixá-la, com perspectivas de emprego/actividade na área da moda, que lhe é tão apelativa.

Objetivo específico 2 e justificação

Integração/revitalização de técnicas artesanais, cultura e património e co criação em design, com intercâmbio de saberes, design participativo e inclusão de actores locais focando na evolvência e estimulação socio cognitiva. Do ponto de vista do Produto, o projecto assegura a reconversão de material têxtil descartado em novos produtos com acréscimo de valor, associados à promoção de técnicas têxteis artesanais locais, heranças patrimoniais e históricas – e adaptados aos próprios utilizadores intervenientes no processo, o que garante a sustentabilidade de produtos inovadores que vão «beber» ao próprio mercado. O modelo de negócio dota os intervenientes de novas competências e conhecimento, empoderando a comunidade. As práticas de desconstrução e re-significação, que podem incluir upcycling e redesign, aliam-se à linguagem emblemática do local, também por aproximarem produto e produtor, garantindo um design híbrido e inovador feito com preocupações éticas, socio-culturais e ambientais.

Objetivo específico 3 e justificação

Regeneração económica e desenvolvimento local, baseada na economia circular O projecto baseia-se em fazer/agir localmente em dinâmicas colaborativas, participativas ou de co-criação, que envolvem uma regeneração do local baseada nele mesmo. A centralização da produção e o aproveitamento de matérias-primas e saberes tradicionais concorre para a sustentabilidade dos meios produtivos, numa contínua redução da pegada ecológica afecta a um produto de moda. O projeto é capaz de regenerar economicamente uma região despovoada, através da economia circular e da economia criativa. Gera emprego, com foco no desenvolvimento sustentável e no novo 4R, Reparar, mais focado em aspetos socioculturais. Tendo a sustentabilidade a longo prazo como propósito, através da melhoria sistémica e colaborativa, conseguida pela integração dos processos de Design no sistema, este projeto em torno da moda pretende ter impacto real e continuado.

Objetivo específico 4 e justificação

Sustentabilidade através do upcycling de vestuário descartado existente, enquanto matéria prima para o re design e produção de novos produtos. Tendo a sustentabilidade a longo prazo como propósito, através da melhoria sistémica e colaborativa, com a integração dos processos de Design e transferência de conhecimento rural/urbano na dicotomia artesanato/design, pretende-se que este projecto em torno da moda tenha impacto prolongado. A participação activa da sociedade no upcycling e na redução do consumo e de pegada ecológica são linhas orientadoras do projeto. Articular o saber-fazer ao pensamento crítico promove de forma duradoura comportamentos sustentáveis: à consciência ambiental acresce o impacto social, económico e cultural, recuperando saberes-fazeres tradicionais. Incluir a comunidade em ações de design participativo é sensibilizá-la para um consumo mais sustentável, influenciada pela percepção do modo como são concebidos os próprios produtos.

Parceria local

Promotora

ASSOCIAÇÃO VIA CRIATIVA - design para o desenvolvimento local

Parceira

Alcaria Ruiva
Câmara Municipal de Mértola

Território(s) de intervenção

1. Mértola

Alcaria Ruiva, Mértola
Critério 1. Condições de habitabilidade deficientes ou precárias, nomeadamente:
Mau estado das habitações, por deficiente construção, falta de manutenção ou por estarem situadas em territórios afetados por incêndios nos últimos cinco anos
Exiguidade do espaço habitável
Desadequação severa dos espaços comuns
Ventilação e iluminação solar insuficientes ou baixo conforto térmico e acústico
Critério 2. Número significativo de moradores com rendimentos baixos ou muito baixos, nomeadamente:
Pessoas em situação de desemprego, lay-off ou precariedade laboral
Pessoas com poucos anos de escolaridade
Pessoas abrangidas por prestações e apoios do subsistema público da ação social
Critério 7. Exclusão social
Número significativo de pessoas em situação de exclusão social, isolamento ou abandono, nomeadamente idosos, pessoas em situação de sem abrigo ou vítimas de tráfico

Atividades

1. Preparação e Design (1 RH, logística 2 Peças disponíveis 3 Abordagens 4 Práticas atualizadas 5 Meios humanos e parcerias 6 Visitas 7 Design exploratório e Workshops 8 Estratégias de implementação 9 Design de produtos 10 Revisão e avaliação)

Na 1ª fase Processual pretende-se reunir as condições materiais e imateriais para o melhor funcionamento deste projecto integrado desde o seu inicio. Após ter essas bases conseguidas, inicia-se o processo de Design nas suas primeiras fases com: A- lançamento de briefing, B- pesquisa, C- exploração conceptal, D- design e desenvolvimento conceptual das peças e E- realização de protótipos. No processo hermenêutico de Design, as fases podem não ser sequenciais, sendo que o objectivo é conseguir definir protótipos de peças para produção final.
Destinatários preferenciais
Jovens, Idosos, Adultos (população em idade ativa), Mulheres

2. Produção e Refinamento (11 Redesign e refinamento das peças para produção e redistribuição de tarefas 12 Desenvolvimento e produção, Workshops 13 Produção 14 Revisão e avaliação intermédia)

Com a actividades anteriores terminadas na definição de prototipos de peças para produção, esta 2ª fase de actividades refere-se à continuação do processo de Design: F realização da documentação técnica para a produção (desenhos e planeamento), à gestão da mesma e à produção propriamente dita das peças. Naturalmente as primeiras séries serão alvo de avaliação e ajustes necessários para a optimização das séries seguintes de produção. Está também incluído toda a parte de definição de imagem, fotografia e packaging para permitir a distribuição e comercialização dos produtos.
Destinatários preferenciais
Jovens, Idosos, Adultos (população em idade ativa), Mulheres

3. Comercialização e Comunicação (15 Divulgação de produtos finais 16 Evento Mostra cultural 17 Divulgação, comunicação e comercialização 18 Revisão de estratégias implementadas 19 Avaliação de impactos e relatórios institucionais)

Com base nos produtos já conseguidos, e na produção já definida, resolver as questões de imagem, divulgação, comunicação, comercialização, nomeadamente a definição da marca, das estratégias de marketing e distribuição. Terminar o website do projecto com a loja on-line para a venda e distribuição global e fazer a comunicação, cientifica e comercial está também incluído nesta secção de actividades. Preparar todos os processos de avaliação interna, documentação e relatórios necessários para terminar este projecto de financiamento mas também preparar a sua continuidade e crescimento.
Destinatários preferenciais
Jovens, Idosos, Adultos (população em idade ativa), Mulheres, Toda a comunidade