N. 762/2020

Tipo de projeto e valor máximo de financiamento

Serviço à comunidade (máximo 25.000 Euros)

Eixos de intervenção em que se enquadra o projeto

Financiamento

Valor solicitado

25.000,00 €

Valor de outros financiamentos

0,00 €

Valor total

25.000,00 €
Mapa de localização da candidatura

Mapa das candidaturas financiadas


Dar as Mãos - Futuro Saudável

O projeto Dar as Mãos - Futuro Saudável visa apoiar a Comunidade da Torre - moradores, migrantes de passagem, ex-moradores e vizinhos (com diferentes origens, na maioria santomense e de etnia cigana) do Bairro da Torre (Camarate) -, na melhoria das suas condições de vida, agravadas em tempos de pandemia. Pretende-se potenciar as atividades de apoio a esta comunidade que a Associação Torre Amiga já desenvolve com seus recursos, doações e parceiros, de forma a estimular soluções imediatas e de médio prazo para o acesso a melhor alimentação e saúde, a mais cultura e a um habitar mais digno. Os objetivos e atividades propostas enquadram-se nos 5 eixos do programa, baseiam-se nos saberes e práticas locais, nas redes de solidariedade e nas parcerias formais e informais existentes que se pretendem reforçar. Os serviços à comunidade e as oficinas de formação e capacitação visam empoderar a comunidade e fortalecer a sua coesão, autoestima e autonomia socioeconómica.

Objetivos

Objetivo geral e justificação

Fortalecimento da Comunidade da Torre (que reside ou residiu no Bairro) para a melhoria das condições de saúde e da qualidade de vida. As famílias que permanecem no bairro à espera do realojamento, vivem em precárias condições ambientais, sanitárias e habitacionais, com alto risco para a saúde. As já realojados têm a situação da habitação parcialmente resolvida, mas a situação socioeconómica em muitos casos agravou-se sobretudo com a pandemia. O projeto visa fortalecer a Associação reforçando as atividades comunitárias de serviços (acolhimento residencial, apoio a bens essenciais) bem como o convívio e trocas culturais para criar maior resiliência à situação atual do bairro, do realojamento e do contexto pandémico. Pretende-se resgatar os laços de solidariedade, que o realojamento disperso enfraqueceu, e reforçar a autonomia da comunidade e a sua inserção na sociedade, promovendo ações de produção e de capacitação, de reflexão, partilha de saberes e de construção coletiva de soluções.

Objetivo específico 1 e justificação

Fortalecer a Associação Torre Amiga atualmente localizada no Bairro da Torre, dignificar os seus espaços comuns, reforçar as suas capacidades e as suas práticas comunitárias socioculturais, de entreajuda, de acolhimento de migrantes e de consolidação da coesão entre as famílias em situação de vulnerabilidade - africanas e de etnia cigana residentes, realojadas ou vizinhas. Pretende-se especificamente: nomear e consolidar a Casa 'Dar as Mãos. Presente e Futuro Saudável', adequando os espaços existentes para reforçar as atividades de apoio desenvolvidas pela Associação; qualificar a Cozinha e a Horta ‘Dar as Mãos’; dinamizar o ‘Ponto de Encontros e Partilha de Culturas’ para estimular as práticas culturais da comunidade; organizar Oficinas de apoio ao processo formativo e à empregabilidade; constituir um Grupo Local de mediação comunitária para consciencialização das questões ambientais e habitacionais e para promoção de um debate alargado sobre o processo de realojamento.

Objetivo específico 2 e justificação

Promover a segurança alimentar e a saúde a partir do acesso a bens alimentares de qualidade e da promoção da saúde. A pandemia agravou a fome nos territórios vulneráveis: a perda de atividades económicas e de rendimentos reduz o acesso a alimentação adequada em quantidade e qualidade e a medicamentos apropriados. A Associação Torre Amiga recebe alimentos em doação (que são em parte distribuídos e em parte usados para a confeção de refeições para os mais carenciados) e gere uma pequena horta para obter alimentos frescos. O projeto pretende: aproveitar e potenciar a Cozinha existente como espaço polivalente e solidário ‘Dar as Mãos’ para fornecer refeições e para sensibilizar para uma alimentação saudável; qualificar a pequena horta para a produção de legumes, vegetais, ervas aromáticas e medicinais para apoio à cozinha; e promover a partilha de saberes sobre culinária e sobre o cultivo e gestão de hortas e de plantas medicinais.

Objetivo específico 3 e justificação

Valorizar a dimensão cultural como promotora da saúde física e mental e da coesão da Comunidade da Torre. As manifestações culturais locais têm promovido o convívio, o sentido de pertença da comunidade e o reforço das identidades locais. O realojamento disperso das famílias e a atual situação pandêmica têm dificultado o convívio e a realização das trocas artístico-culturais da Torre que vão desde a culinária e a terapêutica tradicional, à dança, à música e ao canto, em contexto de celebrações familiares ou apresentações públicas e aos eventos como a Festa Anual de Nossa Senhora Madre Deus. Pretende-se criar condições para potenciar estas práticas culturais, organizar Oficinas de Culinária Africana e Cigana e de Produção Hortícola, promover ensaios e apresentações do Grupo Coral santomense, dos grupos de dança e música cigana, dinamizar Oficinas Artísticas para crianças e colónias de férias.

Objetivo específico 4 e justificação

Promover ações de capacitação para incentivar o empreendedorismo local e novas formas de colaboração e de partilha de saberes. A escolaridade e formação profissional reduzidas, dificultam o acesso ao mercado de trabalho, o que se acentuou com a pandemia do Covid-19, particularmente ao nível da prestação de serviços e do comércio. Pretende-se dinamizar a organização de oficinas de capacitação, já mencionadas nos objetivos anteriores, articulando os saberes existentes e as carências identificadas, para desenvolver capacidades, promover a emancipação local e a participação cívica, e para melhorar os serviços prestados à comunidade. As atividades de capacitação serão da responsabilidade dos que tem domínio do saber fazer com apoio de parceiros e incluem desde a já referida produção de refeições (Oficina de Culinária) ou de hortícolas (Oficinas de Produção Hortícola), à produção artesanal de máscaras sanitárias (Oficina de Costura), ou à capacitação informática.

Objetivo específico 5 e justificação

Apoiar na resolução das questões ambientais e habitacionais para salvaguardar a vida e a saúde dos atuais residentes, para incentivar estilos de vida saudáveis e produzir espaços mais qualificados. A acumulação de lixo e entulho, continua a alimentar as pragas no bairro que põem em risco a vida e a saúde das famílias residentes. O realojamento disperso em curso, por vezes distante, afrouxou as redes de solidariedade, precarizou o acesso ao trabalho, dificultando a sobrevivência. Pretende-se dinamizar a criação de um Grupo Local de mediação comunitária para consciencialização sobre as questões ambientais e infraestruturais existente, sobre a questão da habitação e do realojamento e para a procura de soluções em articulação com a CMLoures. Através deste GL e com apoio do Gestual pretende-se promover uma reflexão participada e criativa sobre os aspetos positivos e negativos do realojamento e contribuir para soluções mais adequadas e inovadoras em articulação com as entidades responsáveis.

Parceria local

Promotora

Associação Torre Amiga - Moradores Do Bairro da Torre

Parceira

Grupo de Estudos Socio-Territoriais, Urbanos e de Ação Local (GESTUAL), do Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design (CIAUD), da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa (FA-UL)
Artista plastica - Marian Van Der Zwaan
Ajuda em Ação - Mário rui dos Santos Correia Baudouin
Núcleo Refood Santa Clara
ACES Loures Odivelas
União Freguesias Camarate, Unhos e Apelação
Câmara Municipal de Loures
José Manuel Salvador Duarte

Território(s) de intervenção

1. Bairro da Torre, autoproduzido, em processo de realojamento, com carências de alto risco para a saúde das 7 famílias residentes (limpeza urbana, infraestruturas e habitação); abrange os bairros sociais onde foram realojadas 56 famílias desde 2017.

Camarate, Unhos e Apelação, Loures
Critério 1. Condições de habitabilidade deficientes ou precárias, nomeadamente:
Mau estado das habitações, por deficiente construção, falta de manutenção ou por estarem situadas em territórios afetados por incêndios nos últimos cinco anos
Exiguidade do espaço habitável
Desadequação severa dos espaços comuns
Deficientes condições de acesso ao abastecimento de água, saneamento e energia, designadamente em áreas de génese ilegal
Ventilação e iluminação solar insuficientes ou baixo conforto térmico e acústico
Critério 2. Número significativo de moradores com rendimentos baixos ou muito baixos, nomeadamente:
Pessoas em situação de desemprego, lay-off ou precariedade laboral
Pessoas com poucos anos de escolaridade
Pessoas abrangidas por prestações e apoios do subsistema público da ação social
Pessoas indocumentadas, requerentes de asilo, refugiados, apátridas ou em condições semelhantes
Critério 3. COVID-19
Número significativo de pessoas de risco em caso de COVID-19, nomeadamente idosos e portadores de doenças crónicas
Critério 4. Número significativo de pessoas com constrangimentos de acesso a cuidados de saúde, nomeadamente por:
Falta de condições de mobilidade e transporte
Falta de documentação ou barreira linguística
Falta de capacidade económica para aquisição de medicamentos
Critério 6. Número significativo de crianças e jovens em idade escolar a não frequentar a escola ou com elevada percentagem de insucesso, nomeadamente por:
Abandono escolar
Falta de condições para aceder ao ensino a distância
Critério 7. Exclusão social
Número significativo de pessoas em situação de exclusão social, isolamento ou abandono, nomeadamente idosos, pessoas em situação de sem abrigo ou vítimas de tráfico

Atividades

1. Casa 'Dar as Mãos’. Presente e Futuro Saudável

Apropriação de espaço existente da atual sede da Associação, para sua capacitação ao nível do apoio à Comunidade da Torre residente e realojada (famílias imigrantes, africanas e de etnia cigana), respondendo a carências imediatas e de médio prazo, nomeadamente acesso aos cuidados de saúde e apoios sociais e regularização de documentos, através da mediação com serviços (SEF, CMLoures, Junta de Freguesia, Centro de Saúde, escolas, Segurança Social, IEFP) e da partilha de informação e aconselhamento, distribuição de alimentação, vestuário, mobiliário e outros bens recolhidos junto de entidades.
Destinatários preferenciais
Migrantes, Toda a comunidade

2. Cozinha ‘Dar as Mãos’

Reforço da capacidade da cozinha existente para ‘dar as mãos’ à comunidade residente e não residente. A partir da adaptação do espaço atual e da recolha dos alimentos doados (com o apoio da ReFood) e dos produtos da horta, é prevista a confeção diária de 30 refeições saudáveis e sua distribuição gratuita, de 2ª a 6ª feira para famílias com carências alimentares, agravadas na atual situação de pandemia. O espaço permitirá também a organização de Oficinas de Culinária Africana e Cigana, para promover o empreendedorismo local e novas formas de colaboração para o trabalho.
Destinatários preferenciais
Jovens, Mulheres, Migrantes, Toda a comunidade

3. Horta ‘Dar as Mãos’

Reforço da horta existente para atender as necessidades da Cozinha ’Dar as Mãos’, através do apoio ao trabalho dos dois atuais hortelãos e outros moradores interessados, e da disponibilização de sementes, ferramentas e água. A produção hortícola visa contribuir para uma alimentação mais saudável com maior consumo de vegetais e de ervas aromáticas e para o cultivo de plantas medicinais, com base nos saberes locais, para reforçar a imunidade da comunidade. Para o efeito, será dinamizada a organização de Oficinas de Produção de Hortícolas, cruzando saberes tradicionais com novas abordagens.
Destinatários preferenciais
Jovens, Toda a comunidade

4. Ponto de Encontros. Partilha de Culturas

Para estimular o encontro e a partilha de culturas, os laços comunitários e a saúde física e mental, pretende-se, para além das Oficinas de Culinária Africana e Cigana e de Produção Hortícola, revitalizar as manifestações artístico-culturais da comunidade - o Grupo Coral santomense e os grupos de dança e música cigana - através de encontros mensais e eventos bianuais na sede da Associação. Prevê-se também a realização de Oficinas Artísticas para as crianças bem como a organização de colónias de férias.
Destinatários preferenciais
Crianças, Toda a comunidade

5. Oficinas de Costura e de Informática

Desenvolvimento de práticas profissionalizantes de costura e de informática através de oficinas periódicas dinamizadas pelo Gestual: (1) reforço da capacidade de costura para maior produção de máscaras sanitárias e criação de linha de produtos com o apoio da artista M. Van der Zwaan, requerendo a aquisição de 2 máquinas de costura, a angariação de tecidos e linhas, e a adaptação de 2 espaços; (2) aprendizagem de noções básicas de informática para capacitação da Associação, ao nível da gestão financeira e administrativa de projetos, requerendo a aquisição de um computador.
Destinatários preferenciais
Jovens, Mulheres, Toda a comunidade

6. Qualificação Ambiental e Habitacional

(1) Ações de consciencialização ao nível ambiental e habitacional, (2) criação de um Grupo Local para promover o debate sobre estas questões e as soluções possíveis e (3) organização de 4 Oficinas com apoio do Gestual: O1. (bimestral) Consciencialização Ambiental (higiene, controlo de pragas, limpeza urbana, remoção de entulho); O2. Levantamento e Mapeamento Colaborativo do processo de realojamento das famílias da Torre (aspetos positivos e negativos); O3. Co-construção de Soluções; O4. Co-identificação de Cenários de Realojamento mais adequado em articulação com entidades responsáveis.
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade