N. 318/2020

Tipo de projeto e valor máximo de financiamento

Projeto integrado (máximo 50.000 Euros)

Eixos de intervenção em que se enquadra o projeto

Financiamento

Valor solicitado

€ 49,586.00

Valor de outros financiamentos

€ 0.00

Valor total

€ 49,586.00
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Mapa das candidaturas financiadas


Registos

JARDINS TERAPÊUTICOS: Quem planta seus males espanta!

O projeto Jardins Terapêuticos, apresenta-se como um projeto-piloto de mitigação para a falta de sociabilidade, isolamento social e passividade da população sénior, agravadas pelas medidas de confinamento e distanciamento social impostas pela pandemia COVID. O projeto, parte do potencial ocupacional e terapêutico dos espaços de jardim e da prática de jardinagem para promover a pro-atividade (física, cognitiva e emocional) quer no espaço restrito da casa, quer no contexto comunitário de proximidade do “monte” em que a população-alvo reside. Em cada “monte” propõe-se o desafio de requalificar paisagisticamente uma zona de jardim, um canteiro ou uma rua com recurso a plantas, flores e árvores, preferencialmente, autóctones e com propriedades terapêuticas reconhecidas pela comunidade local. O processo assenta num modelo de co-criação comunitária, desde a escolha do local, à escolha das plantas, ao trabalho da sua implementação e na manutenção e cuidado dos mesmos.

Objetivos

Objetivo geral e justificação

O projeto Jardins Terapêuticos tem por objetivo geral a promoção da saúde (física, cognitiva e emocional) da população idosa do concelho de Mértola, em situações de maior isolamento social agravado pelas medidas de confinamento e distanciamento social impostas pela pandemia COVID-19. O contexto de forte dispersão geográfica (4,8hab/Km2) e estruturante envelhecimento populacional (36% da população residente com mais de 65 anos/índice de envelhecimento de 389,2), associado aos enormes deficits de mobilidade municipal, exasperam um dos problemas sociais com maior expressão local: o isolamento social da população sénior, resultando em consequências visíveis ao nível do seu estado anímico, saúde física e mental. Este estado de coisas requer uma abordagem holística, criativa e comunitária, simultaneamente de mitigação do isolamento social e estímulo à promoção de hábitos de vida ativa saudável alinhados com as práticas inerentes aos paradigmas do envelhecimento ativo e do ageing in place

Objetivo específico 1 e justificação

Promover atividades indutoras de um envelhecimento ativo e saudável, junto da população idosa e comunidade envolvente, garantido as condições e os comportamentos de segurança sanitária necessários em tempos de COVID. Localmente, com a situação de pandemia, muitos idosos viram-se privados do conjunto de atividades que lhes estavam disponíveis através de projetos como a Universidade Sénior ou a Ludoteca Itinerante. A perda dessa atividade conduziu a um maior sedentarismo e isolamento, com a consequente deterioração de capacidades sensórias, cognitivas e funcionais. À maior debilidade da saúde física, associa-se a maior debilidade da saúde psíquica: ansiedades, depressão, solidão, baixa autoestima. Ainda que prevaleçam todos os cuidados em matéria de prevenção do contágio por COVID-19, torna-se, urgente reativar ou recriar iniciativas promotoras de estilos de vida mais ativos, inclusivos e saudáveis que dignifiquem a pessoa idosa e contribuam para sua qualidade de vida e bem-estar.

Objetivo específico 2 e justificação

Promover contextos de motivação e valorização da auto-estima da população idosa no concelho, através do reconhecimento e promoção de jardins e pessoas inspiradoras. A dinâmica do projeto necessita de um contexto inicial motivacional que implique os idosos e a comunidade num processo que se pretende participativo, integrador e colaborativo. Considerando o deficit de participação cívica e comunitária, bem como a tendencial inercia/inatividade da população sénior alvo do projeto, para o cumprimento desse pressuposto participativo é necessário criar primeiro uma conjuntura social local de motivação e implicação individual e coletiva. Deste modo, pretende-se identificar e promover no território abrangido, jardins e pessoas inspiradoras, num exercício de valorização da auto-estima e de contágio à comunidade envolvente. O jardim é assim apresentado como um recurso de saúde, um espaço de criação, de terapia e os/as seus/suas mentores/as, considerados inspiradores exemplos de pro-atividade

Objetivo específico 3 e justificação

Dinamizar iniciativas mobilizadoras da ação coletiva participativa e transformadora. Fazê-lo através da implementação e dinamização, por processos colaborativos, de 9 jardins terapêuticos (um por freguesia),entendidos não apenas como espaços de valor estético, mas acima de tudo, como projetos-esperança motivadores da ação individual e coletiva, lugares de terapia, pertença, sociabilidade e interação humana. Nas últimas décadas a perda de população ativa, em particular, nas pequenas localidades do concelho, conduziu a profundas transformações socio espaciais. Os espaços de sociabilidade perderam a sua dinâmica agregadora e integradora; as relações de solidariedade de vizinhança fragilizaram-se e o sentido de coletivo e pertença perdeu claramente vigor. É pois urgente fazer emergir iniciativas congregadoras de uma nova e mais responsiva consciência coletiva, na certeza que o cuidar da comunidade como um todo é cuidar, simultaneamente, das pessoas na sua individualidade.

Objetivo específico 4 e justificação

Promover a regeneração “verde”, do espaço comunitário ao contexto territorial alargado. O projeto parte do potencial ocupacional e terapêutico dos espaços de jardim (entendidos como um recurso de saúde pública) e da prática de jardinagem como meio de promoção da pro-atividade (física, cognitiva e emocional), para uma reflexão alargada sobre os desafios de regeneração do território. Assenta na necessidade urgente de se ensaiarem localmente soluções de transição agroecológica e de regeneração dos ecossistemas (naturais e humanos), considerando o facto de estarmos num território altamente vulnerável aos fenómenos das alterações climáticas e a caminho da desertificação (física e humana). Deste modo, a par da criação ou requalificação de um conjunto de espaços comuns onde se valoriza o contacto com a natureza e a estimulação sensorial, procura-se ainda que estes jardins se constituam como espaços promotores de reflexões alargadas sobre as questões socioecológicas colocadas ao território.

Objetivo específico 5 e justificação

Capacitar as comunidades locais para a ação coletiva colaborativa, com vista à co-criação ou reforço de redes de solidariedade primárias prestadoras de cuidados sociais entre pares. Assente no conceito de Sociedade-Providência, as redes de solidariedade primárias (incluem redes de parentesco, co-residência, comensalidade e vizinhança) providenciam, particularmente, em contextos mais isolados, um sem números de serviços de apoio (social, logístico, emocional) a pequenos grupos sociais, numa base não mercantil e com uma lógica de reciprocidade. Ainda que, manifestamente fragilizadas em função do despovoamento crónico que afeta o território, as redes informais primárias, podem desempenhar um papel muito importante na resposta a situações de carência, risco e isolamento social, em particular da população idosa. Para contrariar a sua mutabilidade é necessário ensaiar modelos mistos que conciliem estas respostas informais com respostas mais formais/informais já instaladas no terreno

Parceria local

Promotora

Associação Terra Sintrópica

Parceira

Associação Montícola
Junta de Freguesia de Corte do Pinto
Freguesia de Mértola
Alcaria Ruiva
Freguesia de S. Miguel do Pinheiro, S. Pedro de Sólis e S. Sebastião dos Carros
Câmara Municipal de Mértola
Junta de Freguesia de Santana de Cambas
Autoridade local
Freguesia de S. João dos Caldeireiros
ATGDM - ASSOCIAÇÃO DAS TERRAS E DAS GENTES DA DIETA MEDITERRÂNICA

Território(s) de intervenção

1. Santana de Cambas

Santana De Cambas, Mértola
Critério 2. Número significativo de moradores com rendimentos baixos ou muito baixos, nomeadamente:
Pessoas em situação de desemprego, lay-off ou precariedade laboral
Pessoas com poucos anos de escolaridade
Pessoas abrangidas por prestações e apoios do subsistema público da ação social
Critério 3. COVID-19
Número significativo de pessoas de risco em caso de COVID-19, nomeadamente idosos e portadores de doenças crónicas
Critério 7. Exclusão social
Número significativo de pessoas em situação de exclusão social, isolamento ou abandono, nomeadamente idosos, pessoas em situação de sem abrigo ou vítimas de tráfico

2. São João dos Caldeireiros

São João Dos Caldeireiros, Mértola
Critério 2. Número significativo de moradores com rendimentos baixos ou muito baixos, nomeadamente:
Pessoas em situação de desemprego, lay-off ou precariedade laboral
Pessoas com poucos anos de escolaridade
Pessoas abrangidas por prestações e apoios do subsistema público da ação social
Critério 3. COVID-19
Número significativo de pessoas de risco em caso de COVID-19, nomeadamente idosos e portadores de doenças crónicas
Critério 7. Exclusão social
Número significativo de pessoas em situação de exclusão social, isolamento ou abandono, nomeadamente idosos, pessoas em situação de sem abrigo ou vítimas de tráfico

3. São Miguel do Pinheiro, São Pedro de Solis e São Sebastião dos Carros

São Miguel do Pinheiro, São Pedro de Solis e São Sebastião dos Carros, Mértola
Critério 2. Número significativo de moradores com rendimentos baixos ou muito baixos, nomeadamente:
Pessoas em situação de desemprego, lay-off ou precariedade laboral
Pessoas com poucos anos de escolaridade
Pessoas abrangidas por prestações e apoios do subsistema público da ação social
Critério 3. COVID-19
Número significativo de pessoas de risco em caso de COVID-19, nomeadamente idosos e portadores de doenças crónicas
Critério 7. Exclusão social
Número significativo de pessoas em situação de exclusão social, isolamento ou abandono, nomeadamente idosos, pessoas em situação de sem abrigo ou vítimas de tráfico

4. Espirito Santo

Espirito Santo, Mértola
Critério 2. Número significativo de moradores com rendimentos baixos ou muito baixos, nomeadamente:
Pessoas em situação de desemprego, lay-off ou precariedade laboral
Pessoas com poucos anos de escolaridade
Pessoas abrangidas por prestações e apoios do subsistema público da ação social
Critério 3. COVID-19
Número significativo de pessoas de risco em caso de COVID-19, nomeadamente idosos e portadores de doenças crónicas
Critério 7. Exclusão social
Número significativo de pessoas em situação de exclusão social, isolamento ou abandono, nomeadamente idosos, pessoas em situação de sem abrigo ou vítimas de tráfico

5. Mértola

Mertola, Mértola
Critério 2. Número significativo de moradores com rendimentos baixos ou muito baixos, nomeadamente:
Pessoas em situação de desemprego, lay-off ou precariedade laboral
Pessoas com poucos anos de escolaridade
Pessoas abrangidas por prestações e apoios do subsistema público da ação social
Critério 3. COVID-19
Número significativo de pessoas de risco em caso de COVID-19, nomeadamente idosos e portadores de doenças crónicas
Critério 7. Exclusão social
Número significativo de pessoas em situação de exclusão social, isolamento ou abandono, nomeadamente idosos, pessoas em situação de sem abrigo ou vítimas de tráfico

6. Alcaria Ruiva

Alcaria Ruiva, Mértola
Critério 2. Número significativo de moradores com rendimentos baixos ou muito baixos, nomeadamente:
Pessoas em situação de desemprego, lay-off ou precariedade laboral
Pessoas com poucos anos de escolaridade
Pessoas abrangidas por prestações e apoios do subsistema público da ação social
Critério 3. COVID-19
Número significativo de pessoas de risco em caso de COVID-19, nomeadamente idosos e portadores de doenças crónicas
Critério 7. Exclusão social
Número significativo de pessoas em situação de exclusão social, isolamento ou abandono, nomeadamente idosos, pessoas em situação de sem abrigo ou vítimas de tráfico

7. Corte Do Pinto

Corte Do Pinto, Mértola
Critério 2. Número significativo de moradores com rendimentos baixos ou muito baixos, nomeadamente:
Pessoas em situação de desemprego, lay-off ou precariedade laboral
Pessoas com poucos anos de escolaridade
Pessoas abrangidas por prestações e apoios do subsistema público da ação social
Critério 3. COVID-19
Número significativo de pessoas de risco em caso de COVID-19, nomeadamente idosos e portadores de doenças crónicas
Critério 7. Exclusão social
Número significativo de pessoas em situação de exclusão social, isolamento ou abandono, nomeadamente idosos, pessoas em situação de sem abrigo ou vítimas de tráfico

Atividades

1. O meu jardim é assim!

Por todo o concelho proliferam exemplos de pessoas e jardins verdadeiramente inspiradores. Uns de maior monta (quase projetos de vida), outros mais singelos na forma de canteiros ou amontoados de vasos, ao longo da soleira das portas das ruas. Com esta ação pretendemos registar e divulgar esses jardins, bem como, saber da(s) pessoa(s) que o cuidam. Este registo será divulgado nas redes sociais do projeto, como forma de valorização da auto-estima das pessoas e de criação de um ambiente inspirador, favorável e motivador para o desenvolvimento de todo o projeto. Responsável de Atividade: TS
Destinatários preferenciais
Idosos (65 e mais anos), Toda a comunidade

2. Jardins terapêuticos

Criação ou requalificação de um pequeno jardim, área de canteiro, largo ou rua nas pequenas localidades-piloto sinalizadas em cada freguesia. No total são propostos nove jardins, procurando-se a promoção de espaços funcionais, coerentes, legíveis, sensorialmente estimulantes e esteticamente apelativos. Com esta acção pretende-se ainda promover a participação da comunidade na criação de um espaço ajustado à sua realidade contextual, reforçando a qualidade e a intensidade de interações positivas e seguras de que os utilizadores podem beneficiar. Responsável de Atividade: TS
Destinatários preferenciais
Idosos (65 e mais anos), Toda a comunidade

3. Caminhadas com conversas: à descoberta dos jardins silvestres

Pequenos itinerários comentados por guia especializado/a em etnobotânica, do espaço de proximidade aos “montes” em que a população reside. Procura-se promover a descoberta e a partilha de saberes à volta do património etnobotânico do lugar, compreendendo quais as espécies melhor adaptadas, e o seu potencial para promover processos regenerativos a diferentes escalas. Estas caminhadas deverão ser inclusivas, permitindo a participação de públicos com diferentes capacidades de mobilidade, estimulando em simultâneo a convivialidade, a memoria e o espirito de pertença. Responsável de Atividade: AM
Destinatários preferenciais
Idosos (65 e mais anos), Toda a comunidade

4. O jardim é uma farmácia

Propõe-se a compreensão da saúde a partir das plantas e das suas propriedades, valorizando o poder preventivo e curativo das mesmas. A actividade será composta por workshops sobre mezinhas, infusões, e receitas que incorporam as plantas silvestres e aromáticas, informando sobre os seus usos terapêuticos, e dando voz ao saber local, fundado num conhecimento profundo do património etnobotânico de proximidade. Responsável de Atividade: ATGDM
Destinatários preferenciais
Idosos (65 e mais anos), Toda a comunidade

5. Quero conhecer o teu jardim!

Com esta actividade propõe-se a itinerância das comunidades participantes entre “montes”, visitando os vários jardins terapêuticos propostos. Procura-se deste modo o incentivo a práticas comunitárias seguras em tempos de covid, reforçando o sentido de presença e minimização do sentido de isolamento/solidão/esquecimento. Simultaneamente será ainda uma oportunidade para as comunidades trocarem experiências, convocando uma reflexão alargada sobre os desafios territoriais comuns. Responsável de Atividade: TS
Destinatários preferenciais
Idosos (65 e mais anos), Toda a comunidade

6. Mercadinho de jardins

Esta actividade assume-se como um momento de celebração e dinamização dos novos espaços de sociabilização criados, fomentando as suas possibilidades agregadoras e mobilizadoras, ao mesmo tempo que se assegura o cuidado em tempos de pandemia. Deste modo, propõe-se em cada ‘monte’ a criação de um mercadinho promovendo a troca de sementes, a venda e compra de plantas, saquinhos de cheiro, chás e infusões, permitindo ainda a partilha de conhecimentos entre a comunidade sobre as plantas e as suas propriedades, valorizando o conhecimento empírico da comunidade. Responsável de Atividade: TS
Destinatários preferenciais
Idosos (65 e mais anos), Toda a comunidade

7. Dos jardins terapêuticos ao cuidado social

Esta actividade procura identificar uma rede de mediadores voluntários capaz de ensaiar uma resposta de cuidado social em cada ‘monte’, a partir da dinâmica comunitária criada em torno da criação dos jardins terapêuticos. Esta consideração, torna-se mais relevante, face à progressiva centralização dos serviços institucionais e continuo desinvestimento estatal na prestação de serviços de proximidade. Esta é ainda uma possibilidade de se ensaiar num futuro próximo, o enquadramento e valorização destas redes informais como redes institucionalizadas de cuidado. Responsáveis de Atividade: JFs
Destinatários preferenciais
Idosos (65 e mais anos), Toda a comunidade