N. 145/2020

Tipo de projeto e valor máximo de financiamento

Projeto integrado (máximo 50.000 Euros)

Eixos de intervenção em que se enquadra o projeto

Financiamento

Valor solicitado

49.950,00 €

Valor de outros financiamentos

0,00 €

Valor total

49.950,00 €
Mapa de localização da candidatura

Mapa das candidaturas financiadas


Entre o chão e o telhado: o bem estar e a cidadania como alvos de cuidado

Projeto construído a partir do que as crianças e famílias identificaram como problema nos bairros. Pretende constituir as crianças e mulheres como agentes de mudança para trabalhar questões relacionadas com a saúde, a autoestima, as condições de habitabilidade das suas casas e da salubridade dos espaços privados e públicos. Através da formação prática, centrada numa aprendizagem de saber fazer, capacitando-os, com competências e ferramentas que funcionem como soluções para a resolução dos problemas nas áreas da saúde, recuperação de espaços habitacionais e espaços exteriores. Queremos responder a problemas como: insucesso escolar, baixa escolaridade e literacia, pouca consciência das suas capacidades, dificuldades no ensino à distância, doença crónica, casas sem o mínimo de condições de ventilação, conforto térmico, escassez de equipamento doméstico (portas, camas, secretárias, computadores), fraco empoderamento das mulheres, pouca capacidade em criar soluções e projetos de vida.

Objetivos

Objetivo geral e justificação

Contribuir para o bem-estar geral das famílias, capacitando-as para serem agentes de mudança individual, familiar e comunitária. Conhecimento da realidade destas famílias com fracos recursos básicos em termos de repouso, de educação, lazer, conforto, promotor de saúde individual e familiar. Pela ausência de condições objetivas de habitabilidade e salubridade alargado ao espaço comum dos bairros, que contribuam para o bem-estar individual, familiar e comunitário. Permanência de fatores de exclusão social limitativo do desenvolvimento das pessoas enquanto cidadãs proativas das suas comunidades. Acresce esta época da Pandemia que tem potenciado as desigualdades de oportunidades, quer pelas condicionantes das condições de vida, promotoras de saúde, quer pelo impacto negativo que está a ter nas aprendizagem e no acesso das crianças à escola.

Objetivo específico 1 e justificação

Capacitar as mulheres com ferramentas e competências que lhes permitam ser agentes de mudança dos espaços privados e públicos dos seus bairros e que se tornem mais capazes de tomar a iniciativa. As mulheres passam dia em casa/bairro, tratando dos filhos, das refeições da família e da casa em termos de limpeza. Não frequentam o espaço público a não ser para saírem acompanhadas com os maridos. Tem baixa escolaridade e pouca iniciativa. Vivem em casas com condições de habitabilidade deficientes, sem o mínimo de condições de ventilação, conforto térmico e acústico. Verifica-se escassez de equipamento doméstico como portas, secretárias, computadores, camas, fogão, entre outros. E por fim, identificamos, um número que consideramos significativo de pessoas com doenças crónicas e de crianças com necessidades educativas especiais. Não identificamos nestas comunidades pessoas com idades superiores a 63 anos, o que nos mostra que o tempo de vidas é muito mais curto.

Objetivo específico 2 e justificação

Mobilizar, capacitar e reconhecer as crianças e adolescentes como mediadores de comunicação dando-lhes acesso a conhecimentos e recursos públicos de saúde. Os jovens destas comunidades continuam a apresentar baixa escolaridade e percursos de insucesso escolar. As crianças apresentam muitas dificuldades de aprendizagem, desmotivação para a escola, fraca consciência das suas capacidades, dificuldade em lidar com a frustração e baixa auto-estima. Acresce o seu meio ambiente habitacional ser desprovido de conforto e de alguns equipamentos que podemos considerar de primeira necessidade, como cama individual, secretária e computador. Quando a escola fechou nenhuma destas crianças tinha computador ou competências desenvolvidas para trabalhar através de plataformas. Foi necessário a Câmara disponibilizar computadores e serem ensinados a funcionar com eles. Apesar desta situação houve crianças que não o conseguiram, tendo trabalhado nas fichas que os professores lhe foram enviando.

Objetivo específico 3 e justificação

Criar espaços de colaboração e de participação intergeracional pela apropriação e melhoramento de espaços públicos que dêem visibilidade e competências às mulheres, crianças e adolescentes, promovendo a sua auto-estima e inclusão. Para além das justificações inscritas nos objetivos específicos 1 e 2, esta atividade justifica-se pela ausência de participação das mulheres no espaço público, pelo fraco empoderamento das mesmas, pela forma como encaram o seu destino e a sua cultura. Justifica-se pela necessidade de lhes dar voz, de as ajudar a (re) escrever projetos de futuro ou simplesmente de lhes dar a perceber que podem ser elas a encontrar soluções, na construção do seu bem-estar e da sua família.

Parceria local

Promotora

Bela Vista - Centro Educação Integrada

Parceira

Associação Cultural e Recreativa de Vale Domingos
Universidade de Aveiro
Mulheres na Arquitectura
MUNICÍPIO DE ÁGUEDA
Unidade de Saude Publica

Território(s) de intervenção

1. Bairros Ciganos de Vale Domingos e Gravaço

Águeda e Borralha, Águeda
Critério 1. Condições de habitabilidade deficientes ou precárias, nomeadamente:
Mau estado das habitações, por deficiente construção, falta de manutenção ou por estarem situadas em territórios afetados por incêndios nos últimos cinco anos
Exiguidade do espaço habitável
Deficientes condições de acesso ao abastecimento de água, saneamento e energia, designadamente em áreas de génese ilegal
Ventilação e iluminação solar insuficientes ou baixo conforto térmico e acústico
Critério 2. Número significativo de moradores com rendimentos baixos ou muito baixos, nomeadamente:
Pessoas em situação de desemprego, lay-off ou precariedade laboral
Pessoas com poucos anos de escolaridade
Pessoas abrangidas por prestações e apoios do subsistema público da ação social
Critério 3. COVID-19
Número significativo de pessoas de risco em caso de COVID-19, nomeadamente idosos e portadores de doenças crónicas
Critério 4. Número significativo de pessoas com constrangimentos de acesso a cuidados de saúde, nomeadamente por:
Falta de capacidade económica para aquisição de medicamentos
Critério 6. Número significativo de crianças e jovens em idade escolar a não frequentar a escola ou com elevada percentagem de insucesso, nomeadamente por:
Falta de condições para aceder ao ensino a distância
Critério 7. Exclusão social
Número significativo de pessoas em situação de exclusão social, isolamento ou abandono, nomeadamente idosos, pessoas em situação de sem abrigo ou vítimas de tráfico

Atividades

1. Grupo dos Professorzinhos/Doutorzinhos

Criação de um grupo de crianças/adolescentes que através de reuniões semanais se apropriarão de materiais disponibilizados pela DGS/Saúde Escolar, que com recursos a outras linguagens (teatro, contar histórias, cartazes), possam construir novas narrativas, capazes de sensibilizar os pares e a comunidade. Ex: identificar problemas de saúde na sua comunidade. Falar com elementos da saúde no sentido de perceberem as implicações e que ações podem fazer na comunidade, junto das famílias para melhorar a situação atual. Promover intercâmbios para a promoção do grupo enquanto promotores de Saúde.
Destinatários preferenciais
Crianças, Jovens

2. Grupo no Feminino

Criação de grupo de mulheres - Formação básica em temas transversais: espaço público e habitação, direitos e políticas públicas, cidadania, género, identidade, autonomia (18h); realização de diagnóstico participado dos problemas vividos pelas mulheres em suas habitações e na forma de vivenciar o bairro (18h); Pensar a saúde a partir da habitação, repensar práticas e hábitos que possam tornar as vivências em casa mais saudáveis e trabalhar a forma de organização espacial dentro da habitação (4h);
Destinatários preferenciais
Mulheres, Famílias

3. Por um Bairro Saudável

Grupo de Mulheres - Formação básica direcionada para a resolução prática de problemas concretos a partir do diagnóstico feito pelo grupo de mulheres com o objetivo de proporcionar ferramentas para que possam realizar de forma autónoma pequenas reparações em suas habitações, Ex: mudar uma torneira, assentar mosaico; reparar fissuras de estuque ou reboco; pintar; ligar um aparelho elétrico, etc. (40h distribuídas pelos temas escolhidos, identificados e priorizados na primeira fase).
Destinatários preferenciais
Mulheres, Famílias

4. Espaço Intergeracional promotor de cidadania

Criar na comunidade uma Hemeroteca onde as crianças possam estudar, ter acesso a computador e internet, livros, jogos. Um espaço que funcione como centro de recursos e promotor da literacia. Aquisição de televisão/ecrã, 3 computadores, 1 computador portátil (técnico do projeto), aparelhagem, livros, jogos de mesa e de exterior, consumíveis (papel, canetas, lápis carvão e cores, marcadores, capas, colas, etc, …), assinatura da revista visão júnior e aquisição de outras revistas/jornais para a população em geral.
Destinatários preferenciais
Crianças, Jovens, Toda a comunidade

5. Na Horta

Criação de uma horta comunitária que seja apropriada pelas mulheres e crianças, sensibilizando para uma alimentação saudável e para a produção dos próprios alimentos – 20h de formação prática em: agricultura biológica, aromáticas, como preparar o terreno/construir uma horta; que plantar, como plantar, quando plantar. Aquisição de ferramentas de cultivo, adubos orgânicos e sementes/plantas.
Destinatários preferenciais
Crianças, Mulheres