N. 483/2020

Tipo de projeto e valor máximo de financiamento

Projeto integrado (máximo 50.000 Euros)

Eixos de intervenção em que se enquadra o projeto

Financiamento

Valor solicitado

50.000,00 €

Valor de outros financiamentos

13.539,00 €

Valor total

63.539,00 €
Mapa de localização da candidatura

Mapa das candidaturas financiadas


Registos

Transformar o Fim do Mundo

O projeto pretende responder ao problema da degradação do património municipal e ao lixo e falta de limpeza do espaço urbano, envolvendo a população e oferecendo alternativas simples e sustentáveis. A fase de execução assenta em dois eixos: atividades de sensibilização ambiental (saúde e ambiente); requalificação dos espaços habitacionais das famílias. A metodologia assenta na mobilização da população residente, na perspetiva de que o seu envolvimento, nos vários processos, garante uma maior adequação das mudanças realizadas e um compromisso efetivo com a conservação e manutenção. Assim, surge a figura dos mediadores de bairro, que constituem uma resposta a problemas identificados no território, sobretudo, aqueles em que as soluções tradicionais se têm revelado insuficientes. Esta mediação comunitária, revela-se interessante na medida em que os próprios, ao experienciarem estes problemas, serão catalisadores de mudança de comportamentos através da sua intervenção.

Objetivos

Objetivo geral e justificação

Promover o desenvolvimento local e a melhoria das condições de vida da comunidade, através de ações concertadas de requalificação física, promoção da participação cívica e organização comunitária, contribuindo para uma maior coesão social e urbana do bairro. O concelho apresenta grandes assimetrias culturais e socioeconómicas, abrangendo territórios como o do projeto, onde existe uma grande vulnerabilidade social e urbanística. Para além de elevados níveis de desemprego e precaridade laboral, existe uma acentuada degradação física e desadequada apropriação dos espaços comuns, com acumulação de lixo, com efeitos negativos ao nível da saúde e ambiente. Desta forma, pretendemos potenciar uma transformação dos espaços e das dinâmicas de convivência intercultural e intergeracional, de forma participada, reforçando os laços de vizinhança, as sinergias entre moradores e com as entidades locais e a capacidade dos moradores se auto-organizarem e de procurarem soluções para os seus problemas.

Objetivo específico 1 e justificação

Promover uma ativa participação cívica através de ações concertadas que visem a transformação e requalificação de espaços comuns degradados e/ou utilizados de forma inapropriada. Pretende-se envolver os moradores em processos de diagnóstico, identificando problemas e necessidades comuns, e organização comunitária para a recuperação e valorização dos espaços. Será promovida uma auto-organização dos moradores, criando sinergias entre os próprios e entidades locais, para encontrar soluções e mobilizar recursos. Assim, deverão ser criadas redes de colaboração, de forma a desenvolver estas ações e dotar os moradores de ferramentas, para que possam ser os protagonistas de uma mudança integrada que engloba o conhecimento vivencial destes e o conhecimento técnico.

Objetivo específico 2 e justificação

Co-responsabilizar moradores e entidades pela limpeza e manutenção do espaço público, através da mobilização ativa, destacando o impacto no ambiente e as possibilidades de realizar escolhas mais sustentáveis. Pretende-se associar a capacidade de mobilização cívica (maior cidadania, cuidado e valorização do bairro) , ao modelo de incentivos em prática pelo município de Cascais (CityPoints) como forma de potenciar este processo. A estimulação de pequenos gestos realizados de forma consistente e informada, em articulação com a entidade municipal responsável pela limpeza do espaço urbano, possibilitará gerar impacto a longo prazo.

Objetivo específico 3 e justificação

Reforçar competências de organização, participação e animação da comunidade, de forma partilhada, potenciando aprendizagens e valorizando a riqueza multicultural do bairro. As atividades previstas irão permitir desenvolver iniciativas dentro da área de interesses da comunidade, destacar talentos e saberes, potenciar as diferenças culturais e étnicas e, em simultâneo, procurar desenvolver novas atividades que promovam estilos de vida mais saudáveis e de educação cívica. Desta forma, é esperada uma apropriação adequada dos espaços comuns, aumentando o sentido de comunidade, e reforçando competências pessoais, sociais e de organização coletiva.

Parceria local

Promotora

Associação Juventude Unida do Fim do Mundo - JUFM
Ludoteca da Galiza

Parceira

Município de Cascais
União das Freguesias de Cascais e Estoril
Cascais envolvente, Gestão social da Habitação
EMAC - Empresa de Ambiente de Cascais

Território(s) de intervenção

1. O âmbito territorial do projeto é o Bairro do Fim do Mundo (B. Novo do Pinhal), uma área prioritária de intervenção abrangida pelo Plano de Ação Integrada para as Comunidades Desfavorecidas (PAICD), marcado por fortes assimetrias sociais e territoriais.

Cascais e Estoril, Cascais
Critério 1. Condições de habitabilidade deficientes ou precárias, nomeadamente:
Mau estado das habitações, por deficiente construção, falta de manutenção ou por estarem situadas em territórios afetados por incêndios nos últimos cinco anos
Desadequação severa dos espaços comuns
Ventilação e iluminação solar insuficientes ou baixo conforto térmico e acústico
Critério 2. Número significativo de moradores com rendimentos baixos ou muito baixos, nomeadamente:
Pessoas em situação de desemprego, lay-off ou precariedade laboral
Pessoas com poucos anos de escolaridade
Pessoas abrangidas por prestações e apoios do subsistema público da ação social
Critério 3. COVID-19
Número significativo de pessoas de risco em caso de COVID-19, nomeadamente idosos e portadores de doenças crónicas
Critério 4. Número significativo de pessoas com constrangimentos de acesso a cuidados de saúde, nomeadamente por:
Falta de documentação ou barreira linguística
Falta de capacidade económica para aquisição de medicamentos
Critério 6. Número significativo de crianças e jovens em idade escolar a não frequentar a escola ou com elevada percentagem de insucesso, nomeadamente por:
Abandono escolar
Falta de condições para aceder ao ensino a distância
Critério 7. Exclusão social
Número significativo de pessoas em situação de exclusão social, isolamento ou abandono, nomeadamente idosos, pessoas em situação de sem abrigo ou vítimas de tráfico

Atividades

1. Criação de Conselho de Bairro

Criação de um grupo de organização e decisão partilhada entre os moradores, que permitirá dinamizar um espaço de discussão, debate, diagnóstico, planeamento e apresentação de propostas para as intervenções de espaços comuns. Este conselho deverá englobar responsáveis de lote e deverá permitir discutir a forma de intervenção dos lotes, assim como outras intervenções e assuntos globais do bairro. Estes momentos deverão também trazer as entidades parceiras ao projeto, de forma a que as propostas sejam apresentadas pelos moradores e discutidas de forma partilhada e coresponsabilizada.
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade

2. Concurso de Transformação de Lotes

Foi definido um orçamento que permitirá realizar intervenções para requalificação dos lotes. De forma a potenciar uma participação informada e responsável, será desenvolvido um concurso para que se mobilizem por prédio e apresentem os arranjos que consideram necessários e que responderão a critérios solicitados por ficha de prédio. As candidaturas serão avaliadas por um júri externo e selecionadas. Serão tidos em conta fatores como a capacidade de mobilização dos moradores e a capacidade de execução das intervenções, preferencialmente com participação direta dos próprios.
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade

3. Bairro Sem Lixo

Serão desenvolvidas campanhas de sensibilização, que promovam uma mudança de comportamentos e traduzam uma diminuição do lixo acumulado no espaço público. Realizar-se-ão, ações de limpeza participadas pelos moradores, articuladas com a empresa Cascais Ambiente. Pretendem-se estimular dinâmicas intergeracionais, numa ótica de responsabilização conjunta e transversal a todos. Pretende-se associar esta mobilização ao modelo de incentivos em prática pelo município (CityPoints) como forma de potenciar este processo. Paralelamente, serão desenvolvidas ações de formação nas áreas da saúde e ambiente.
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade

4. Pequenos arranjos

Ações de manutenção e conservação de espaços comuns identificados em Conselho de Bairro, em três dimensões: criação de bolsa de saberes e técnicas dos moradores (pedreiros, eletricistas, pintores, ex. luzes, campainhas), financiamento afeto ao projeto - aquisição do material/serviço, e apoio na mobilização de recursos externos (entidades com competência na área a intervencionar por ex. calçada, contentores, ou apoio em novas candidaturas). O objetivo é arranjar no imediato o que se estraga, promovendo uma apropriação adequada, não permitindo que se degrade.
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade

5. Animar e Formar

Dinamizar atividades de animação territorial, promovendo formações e eventos de educação cívica e ambiental (reciclagem, aproveitamento de resíduos domésticos), saúde (alimentação saudável, práticas desportivas), desporto (torneios temáticos), atividades lúdicas e cultura (partilha de sabores) , numa perspetiva de aprendizagem contínua, partilha e auto-organização. Pretende-se ainda promover a diversidade do bairro, com a realização de eventos que fomentem a divulgação cultural e étnica presente no bairro, respeitando a sua especificidade e valorizando a integração das várias culturas.
Destinatários preferenciais
Toda a comunidade